Azevêdo promove distensão com Cartaxo: gesto louvável e exemplar

Azevêdo promove distensão com Cartaxo: gesto louvável e exemplar

Coube ao governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), promover gesto louvável e exemplar de distensão política para com um adversário – o prefeito da Capital, Luciano Cartaxo, do PV, ao suspender o embargo do Iphaep às obras do Parque Sanhauá no Centro Histórico de João Pessoa. Cartaxo havia convocado uma entrevista coletiva à imprensa para denunciar o que certamente iria chamar de mesquinhez e intransigência por parte da administração estadual numa questão que está acima de querelas porque envolve o interesse público. Teve que refazer o roteiro da entrevista e, na mudança do tom, mandou ver: “Estou satisfeito, feliz com o gesto do governador, que levou bom senso e equilíbrio para um tema tão importante para a cidade de João Pessoa que é a construção do Parque Ecológico Sanhauá”.

Ficou claro, nesse episódio, o estilo peculiar do governador João Azevêdo que sinaliza para a maturidade política e administrativa. A opinião pública paraibana sabe que até então essa não era a praxe vigente nas relações institucionais entre gestores que estão em campos opostos na política-partidária. Foram vários os ocupantes do Palácio da Redenção acusados de retaliação contra os habitantes de João Pessoa, Campina Grande e outras cidades por causa de divergências com os gestores municipais. Valia a máxima arcaica da política tradicional segundo a qual os “amigos” ou “aliados” devem ganhar tudo, enquanto os adversários devem ser tratados com “os rigores da Lei”. Uma concepção realmente mesquinha, perseguidora, baseada no equívoco de que o Estado é propriedade privada de grupos, não patrimônio de todos.

Por dever de justiça, é preciso reconhecer que o prefeito Luciano Cartaxo, que está no segundo mandato à frente dos destinos de João Pessoa, tem empreendido esforços para transformar o Centro Histórico em polo turístico, econômico e cultural. Por ocasião da reforma no entorno do prédio da Assembleia Legislativa da Paraíba, o então presidente da ALPB, Gervásio Maia, fez questão de manter diálogo com Cartaxo sobre as implicações que as obras poderiam ter na preservação do Centro Histórico. A interlocução se impunha como necessária porque haveria “intervenção” em áreas cuja responsabilidade de conservação é afeta à prefeitura municipal. Gervásio tinha a opção de não abrir diálogo mas teria que se preparar para arrastadas demandas judiciais que provavelmente inviabilizariam o roteiro das obras planejadas. O parlamentar lançou mão do bom senso e desobstruiu canais que facilitaram um final feliz.

O governador João Azevêdo, que é um profundo conhecedor do planejamento urbanístico de João Pessoa, pela sua atuação técnica em diferentes gestões que por aqui passaram, tem uma noção racional e pragmática do bem comum. Sabe que há empreendimentos indispensáveis, até mesmo imprescindíveis, para o desenvolvimento de João Pessoa, cuja consecução está condicionada a limites de legislação da alçada da prefeitura. Tentou atalhos para evitar parceria direta com o prefeito Luciano Cartaxo, até como estratégia para não abespinhar aliados ortodoxos do PSB que não querem nada com o interesse público – querem mesmo é “rosetar”, como dizia Ascenso Ferreira. Mas Azevêdo, que já havia demonstrado autoridade própria em outros episódios mais cruciais para o relacionamento com aliados próximos, sentiu-se como que compelido a agir com grandeza na questão do Parque Sanhauá. Foi o que aconteceu.

Até onde se sabe, não houve necessidade de espetáculos pirotécnicos, como o de conceder audiência ao prefeito Luciano Cartaxo como se fosse um “favor” da parte do governo do Estado. João Azevêdo foi fulminante, direto ao ponto, dando a sua palavra de que a administração que preside não seria empecilho ao que a prefeitura tomou a si a responsabilidade de implementar ou de levar adiante. Foi um gesto marcante, em poucos meses de administração, mas emblemático para situar o compromisso do chefe do Executivo com o interesse público. A população de João Pessoa, penhorada, agradece essa manifestação de distensão e espera que ela passe a ser a regra, não a exceção, durante o quadriênio que compete a João Azevêdo empalmar como reflexo da sua unção nos santos óleos das urnas em outubro de 2018.

Nonato Guedes

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