Campina Grande continua representada no Senado com duas cadeiras

Campina Grande continua representada no Senado com duas cadeiras

Dois representantes de Campina Grande – Cássio Cunha Lima e Raimundo Lira concluem, hoje, mandatos no Senado Federal e o segundo colégio eleitoral do Estado mantém a representatividade a partir de amanhã com duas outras figuras que detêm raízes por lá: Veneziano Vital do Rêgo e Daniella Ribeiro, esta a primeira senadora da história da Paraíba. Cássio foi da safra dos eleitos em 2010, com votação acachapante no Estado e, embora tenha levado dez meses para se investir, afetado que foi por interpretação judicial equivocada da Lei da Ficha Limpa, conseguiu se projetar e tornar-se um dos expoentes do PSDB nacional, figurando entre os “Cem Cabeças” do Congresso, na avaliação rigorosa do Diap. Lira assumiu em 2014, com o jogo andando, na condição de suplente de Vital do Rêgo, nomeado ministro do Tribunal de Contas da União e também se projetou, tanto na atuação parlamentar como em outras missões, tais como a de presidente da Comissão Processante do Impeachment de Dilma Rousseff, no qual garantiu amplo direito de defesa à petista.

Essa predominância de Campina Grande no Senado vai se cristalizando pelo mérito de lideranças políticas que atuam a partir do Compartimento da Borborema, distribuindo-se espacialmente pelo Estado todo, e pela dificuldade histórica que João Pessoa tem tido de produzir candidatos eleitoralmente viáveis para aquela Casa do Congresso, que exerce uma espécie de papel revisor. Na eleição do ano passado, em que Veneziano e Daniella foram ungidos, os outros candidatos foram Cássio Cunha Lima (reeleição) e Luiz Couto, do PT, ambos derrotados. A derrota mais surpreendente foi a de Cássio, já que o resultado, teoricamente, não fez jus à sua atuação política-parlamentar, mesmo tendo se posicionado pelo impeachment de Dilma Rousseff. Luiz Couto tem grande afluência em João Pessoa e, inclusive, chegou a ser candidato a prefeito, mas desdobrou-se na interiorização do mandato como deputado federal, vinculando-se a movimentos sociais emergentes.

O trio de senadores paraibanos completa-se com José Maranhão, ex-governador, que em 2018 postulou, novamente, o governo do Estado, tendo largado na dianteira mas sendo suplantado por concorrentes de maior fôlego, entre eles João Azevedo, do PSB, que logrou vitoriar em primeiro turno com o inegável suporte do ex-governador Ricardo Coutinho. Natural de Araruna, na região do brejo, Maranhão passou a ser um representante de todo o Estado como consequência das três vezes em que assumiu o Executivo, na primeira, em 95, com a morte de Antônio Mariz, na segunda, em 98, quando foi reeleito e na última vez em 2009, quando foi chamado aocupar a cadeira de Cássio, devido à cassação enfrentada por este e aplicada pelo TSE. O fato de serem representantes de Campina Grande não impede que nomes como Veneziano e Daniella sejam representantes do Estado como um todo, já que tiveram votos em diferentes regiões e na campanha assumiram compromissos com a Paraíba e com as grandes causas do Nordeste e do país, em geral.

Do ponto de vista da correlação de forças entre o esquema do governador João Azevedo e o esquema oposicionista no Senado, o gestor conta com um aliado em potencial, o senador Veneziano, e a oposição, encarnada por Cássio e pelo ex-candidato a governador Lucélio Cartaxo, entre outros líderes, aposta fichas na atuação independente de Daniella Ribeiro. Maranhão, que ainda tem quatro anos de mandato pela frente, seria uma espécie de fiel da balança, mas ele não faz oposição sistemática ao governo, de modo que João Azevedo poderá contar com seu apoio nas matérias de relevância e do interesse da Paraíba. Em última análise, a própria Daniella Ribeiro sabe distinguir posição partidária de postura política – e vai querer se credenciar à confiança da opinião pública trabalhando de forma decidida para beneficiar ou favorecer o Estado.

Em termos de passagem pelo Congresso, Daniella é a grande novata, pois até então só exerceu mandato de deputada estadual, enquanto Veneziano registra atuação pela Câmara Federal e Maranhão tanto foi deputado federal quanto senador. Os três – Maranhão, Veneziano e Daniella, são expressões do melhor quilate político e têm valiosas contribuições a oferecer ao debate das questões nacionais e ao encaminhamento de reivindicações ou demandas que contemplem a Paraíba. Não será menor o empenho de Maranhão, Veneziano e Daniella, no sentido de encampar bandeiras de interesse direto do nosso Estado. Até porque todos têm consciência de que a independência e a cobrança do eleitor são cada vez mais acentuadas e que parlamentares devem corresponder indiscutivelmente às expectativas dos que os elegeram.

Nonato Guedes

 

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