Capital fica sem prefeito por dez dias em face da legislação eleitoral

Enquanto o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), colhe os primeiros frutos administrativos do roteiro que empreende pela Polônia, a Capital paraibana está praticamente sem prefeito pelo período de dez dias, já que dois ocupantes naturais do cargo na ordem de sucessão hierárquica preferiram não assumir para não dar margem a problemas de inelegibilidade, uma vez que pretendem concorrer a mandatos no pleito de outubro próximo. O vice-prefeito Manoel Júnior, do PSC, planeja ser candidato ao Senado numa composição com o MDB, cujo pré-candidato ao governo é o senador José Maranhão. O presidente da Câmara Municipal, Marcos Vinícius Nóbrega (PSDB), o seguinte na linha sucessória administrativa, tenciona ser candidato a deputado estadual e também toma suas cautelas para evitar sofrer prejuízos pessoais.

Assessores de Luciano esclarecem, entretanto, que o município não está acéfalo, explicando que antes de viajar o prefeito demandou autorizações e ordens para a execução de obras públicas consideradas essenciais e que o núcleo técnico-administrativo da edilidade já está familiarizado com as diretrizes e prioridades elaboradas pelo prefeito, que foi reeleito e está cumprindo seu segundo mandato administrativo. Essas fontes chamam a atenção para a preocupação que norteou o prefeito Luciano Cartaxo no sentido de cercar-se de auxiliares de sua extrema confiança, que também ganham visibilidade pela competência no que diz respeito às suas atribuições.

Luciano Cartaxo, que pertenceu aos quadros do Partido dos Trabalhadores, por ele concorrendo e vitoriando a vereador em João Pessoa, deputado estadual e prefeito da Capital, transitou, ainda, pelos quadros do PSD, quando a legenda era presidida pelo deputado federal Rômulo Gouveia, falecido há um mês. Por essa época, havia a expectativa nos círculos políticos de que Luciano assumisse candidatura ao governo do Estado e ele chegou a ser bem recepcionado em pesquisas de intenção de voto. Agastou-se, todavia, coma demora de outros partidos de oposição ao governo do estado em fechar com sua postulação, bem como com a disposição anunciada pelo prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, do PSDB, em colocar-se como alternativa do agrupamento à disputa ao governo. O “clã” Cartaxo resolveu migrar para o Partido Verde, mas Luciano preferiu permanecer no exercício do mandato até o último dia – resolução anunciada depois que o governador Ricardo Coutinho tomou idêntica atitude. Em meio a essa migração partidária, Luciano foi substituído pelo irmão gêmeo Lucélio, que tem como candidata a vice a médica Micheline Rodrigues, mulher de Romero. Lucélio foi candidato ao Senado em 2014 e teve uma votação expressiva, mas perdeu no confronto travado com o emedebista José Maranhão.

Nonato Guedes

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