Chamado de mentiroso por Bolsonaro, Bebianno deixará o governo

Chamado de mentiroso por Bolsonaro, Bebianno deixará o governo

Chamado publicamente de mentiroso pelo presidente Jair Bolsonaro e atacado por filhos do mandatário, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, não conseguiu se garantir no cargo após negociações que envolveram ministros mais chegados ao presidente, ontem, em Brasília. Bolsonaro chegou a se reunir com Bebianno e, na sequência, avisou a auxiliares que ele será demitido, podendo a saída do ministro ser formalizada segunda-feira. Bebianno tornou-se o centro de uma crise instalada no Palácio do Planalto após o jornal “Folha de São Paulo” revelar um esquema de candidaturas laranjas do PSL, presidido pelo ministro entre janeiro e outubro de 2018.

Embora tentasse um encontro pessoalmente com o presidente desde quarta-feira, Bebianno só foi recebido no fim da tarde, após ministros e aliados entrarem no circuito. Fontes palacianas deixaram vazar a versão de que teria sido ríspida a conversa entre o presidente da República e o ministro. Bolsonaro chegou a deixar um ato de exoneração assinado. A gota d’agua teria sido o vazamento de diálogos privados, exclusivos da Presidência da República, entre Bolsonaro e Bebianno ao site “O Antagonista” e à revista “Veja”. Nesta semana, o presidente chegou a endossar os ataques feitos pelo seu filho, o vereador carioca Carlos Bolsonaro, do PSC, em que Bebianno foi chamado de mentiroso nas redes sociais por declarar ter conversado por três vezes com Bolsonaro em meio à crise das candidaturas laranjas.

Outra declaração que comprometeu a relação entre ambos foi a entrevista à TV Record em que Bolsonaro afirmou que, se for responsabilizado pelo caso dos “laranjas” do PSL, Bebianno precisará retornar às suas “origens”, ou seja, deixar o governo. As negociações para evitar uma queda de Bebianno ontem começaram logo cedo no Palácio da Alvorada, onde Bolsonaro se recupera ainda de uma cirurgia. Ministros e parlamentares como Joice Hasselmann, além do vice-presidente Hamilton Mourão, aprofundaram conversações na tentativa de superar o impasse. Foi dito a Bolsonaro que a demissão de um de seus auxiliares dessa forma – em crise exposta nas redes sociais – fragiliza a imagem sobre a confiabilidade do presidente e do governo perante a opinião pública. Foi ponderado que isso poderia colocar em risco uma das prioridades de sua gestão: a reforma da Previdência, cuja aprovação é questão de honra para o governo e que terá sua proposta apresentada na semana que vem.

Aliados do presidente Bolsonaro querem que o filho Carlos reduza o tom de postagens nas redes sociais que comprometem o governo. O presidente chegou a ser aconselhado a manter Bebianno no “banco de reservas”, tornando-o um auxiliar de “segunda classe”. A ideia era a de que ele fosse submetido a um processo de esvaziamento, excluindo-o de reuniões, agendas, viagens e eventos para “não contaminar o governo” até que a Polícia Federal chegue a uma conclusão sobre as candidaturas laranjas. A crise foi agudizada na quarta, quando Bolsonaro ainda estava em um quarto do hospital Albert Einstein em São Paulo e ficou irritado ao ler uma declaração de Bebianno de que eles haviam conversado três vezes no dia anterior, quando as reportagens da “Folha de São Paulo” foram publicadas. Ele viu na fala de seu auxiliar uma tentativa de “se pendurar” no contato com o mandatário para escapar da responsabilidade de candidaturas laranjas do PSL.

 

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