Cony morreu sem escrever biografia de José Lins do Rego

O escritor Carlos Heitor Cony morreu esta semana sem ter realizado um sonho: escrever a biografia de José Lins do Rego. O autor de “Quase Memória” faleceu neste sábado (6), mas em vida chegou a vir várias vezes na Paraíba tentar apoio para escrever a biografia de José Lins do Rego. Conta a crônica, que o lobby contrário dos escritores paraibanos inviabilizou a produção da biografia. Detalhe: Cony foi genro de José Lins do Rego

Em seu perfil no Facebook, o jornalista Evandro Nóbrega confirma esta versão. Segundo ele, além de a quantia pedida pelo escritor, jornalista e cronista ser bem elevada para os padrões do erário tabajarino, autorizadas vozes locais, bem próximas do Poder e ainda mais realistas, insistiram em que a Paraíba dispunha de vários nomes capazes de brindar Zé Lins com uma biografia definitiva (ou à altura), sem precisar recorrer à mão-de-obra intelectual de alhures.

“Ao final, tendo Cony perdido todas as esperanças de o Governo estadual (provavelmente por intermédio do Conselho Estadual de Cultura ou outra instituição compatível) lhe comissionar a obra, fui com ele jantar no restaurante Tábua de Carne, porque ele queria porque queria (re)experimentar uma bela carne de sol daqui mesmo, da região nordestina. Era a véspera de seu regresso ao Sudeste e ele, apesar de haver conversado muito comigo sobre os mais diversos temas políticos e literários do país e do mundo, parecia algo entristecido por não haver prosperado seu plano de se tornar quem sabe o principal biógrafo de Zé Lins, como Fernando Morais já conseguira sê-lo, com relação a Assis Chateaubriand”, narrou Evandro, que na época integrava o Conselho Estadual de Cultura.
Para Evandro, Cony era homem muito inteligente. “Sua formação inicial, como seminarista, incluiu perfunctório conhecimento do latim e do grego, de modo que a maioria de seus colegas jornalistas, pouco afeitos ao estudo dessas línguas clássicas, consideravam-no uma espécie de monge sábio, que podia ler “línguas estranhas” – quando isso é a coisa mais comum e normal do mundo (em países civilizados, claro!)”, comentou.

Em análise feita para a Folha de S. Paulo, Paulo Roberto Pires lembra que Carlos Heitor Cony, em 70 anos de trabalhos ininterruptos, encarnou como poucos, no Brasil, a figura do escritor profissional e fazia muitos trabalhos por encomenda. Carlos Heitor Cony foi jornalista, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras.

Linaldo Guedes
linaldo.guedes@gmail.com

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