Elba rebate postagens agressivas de internautas e pede paz

Foto: Marcelo Lyra/Divulgação

A cantora paraibana Elba Ramalho publicou um desabafo no Facebook, em sua página, na noite de ontem, respondendo a recentes mensagens agressivas de internautas contra ela por ter interrompido o show na Torre de TV em Brasília devido ao coro de manifestantes gritando “Fora, Temer!”. O evento, patrocinado pelo governo do Distrito Federal, foi em comemoração aos 52 anos de aniversário de Brasília e houve participação de outros artistas, mas a polêmica se deu quando da apresentação de Elba. A artista paraibana pediu “paz” aos agressores virtuais e reclamou da atmosfera de intolerância que vigora no país.

Textualmente, Elba Ramalho assim reagiu aos ataques: “Se as pessoas soubessem como vivo, o que faço para levar ao mundo nossa cultura popular através da música, o tanto que lutei para firmar uma carreira sólida e verdadeira, contra preconceitos e rejeições por ser uma cidadã nordestina; se soubessem como me desdobro para ajudar os pobres, os desvalidos, amparando obras sociais diversas em todos os cantos do mundo porque penso que onde há necessidade deve haver socorro; se conhecessem um pouquinho da minha alma, do meu caráter, da bondade que existe no meu coração, não se deixariam levar por julgamentos irresponsáveis de pessoas igualmente irresponsáveis e levianas, que falsamente buscam distorcer palavras e sentimentos; pessoas que não medem consequências para ganhar seguidores nas redes sociais, à custa de mentiras e futilidades; se soubessem como semear o mal só gera dor e tristeza, pensariam duas vezes antes de disseminar ódio e violência contra quem luta pelo bem e pela paz. Precisamos de mais amor, mais delicadeza, generosidade, sabedoria; precisamos ser Luz, Luz que ajude a iluminar as trevas e a dissipar quimeras; precisamos ser SOMA. Rezo para que Deus tenha misericórdia dessas pobres criaturas. Rezo e perdoo porque AMO. Tenham uma noite de PAZ”.

Quando Elba entrou no palco na Torre de TV em Brasília, eram 21h do último dia 21 e logo ensaiou-se o coro “Fora, Temer”. A cantora teria respondido que todos os políticos são iguais. “Vamos acabar com essa política chata, vamos passar o Brasil a limpo”, teria manifestado Elba Ramalho dirigindo-se a toda a platéia. O consultor da Unesco Cleyton Feitosa, que mora em Brasília e é natural de Caruaru, Pernambuco, relatou que estava no show e que considerou legítima a manifestação baseada no coro “Fora, Temer”. Ele se disse profundamente desapontado com Elba Ramalho porque esperava que ela tivesse sensibilidade para acatar democraticamente a manifestação dos presentes. Em vez disso, conforme o seu depoimento, Elba interrompeu o show, só o retomando com músicas místicas, algumas de caráter religioso, numa suposta manobra para calar as palavras hostis que lhe eram dirigidas por grupos variados de manifestantes. O consultor se disse extremamente decepcionado porque esperava que fosse outra a postura de Elba Ramalho e conta que foi ao show porque, sendo de Caruaru, esperava se reencontrar com a música nordestina, representada em Elba, a quem assistira em outros espetáculos. “Infelizmente, ela não me representou nem representou ao público presente”, detonou o consultor da Unesco.

A pessoas de sua estreita confiança, a cantora Elba Ramalho externou seu desagrado com o ambiente irrespirável que estaria ocorrendo hoje no Brasil em virtude da divisão de grupos de opinião desde o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff com a investidura de Michel Temer na presidência da República. A artista havia estado, dias antes, em Lisboa, numa apresentação que qualificou de magnífica no stand montado para divulgar a música nordestina e outras potencialidades da região e do Brasil. Elba tem evitado envolver-se nas manifestações políticas pró ou contra o impeachment de Dilma Rousseff, explicando que foi mal-compreendida em outras oportunidades quando se manifestou sobre outros assuntos. Ela foçi bastante criticada no próprio Nordeste, por agentes de meios de comunicação, por ter feito restrições ao projeto de transposição das águas do rio São Francisco, alertando para os danos que poderiam ser causados à ecologia. Ultimamente ela vinha acompanhando, em silêncio, manifestações hostis a artistas como Chico Buarque de Holanda e Caetano Veloso, que se colocaram ostensivamente ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff, mas não entrou em polêmica. Decidiu desabafar em Brasília quando sentiu que ela era o alvo das hostilidades. A portais do Sul, Elba Ramalho contou que os incidentes no Distrito Federal foram desagradáveis e em nada contribuem para o aperfeiçoamento do processo democrático no Brasil.

Nonato Guedes

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