Em plena crise do Muriçocas do Miramar, Elba desfila com homenagem

Em plena crise do Muriçocas do Miramar, Elba desfila com homenagem

Foto: Marcelo Lyra/Divulgação

A cantora Elba Ramalho encerrará a programação do “Muriçocas do Miramar”, o principal bloco de arrasto do pré-Carnaval de João Pessoa, na noite de hoje, cantando em um palco montado no final da avenida Tito Silva. Elba é a grande homenageada do bloco na trigésima terceira edição, em meio a uma crise sem precedentes que fez os organizadores reduzirem de dez para dois o número de trios elétricos na apresentação de logo mais. Haverá, também, apenas dois palcos, sendo um na Praça das Muriçocas e outro no cruzamento da Epitácio Pessoa com Tito Silva. Flávio Eduardo Maroja, “Fuba”, ícone do bloco, diz que a preocupação em buscar mudanças é voltar a ocupar o bairro do Miramar, assim como acontecia quando “Muriçocas” foi criado.

O trânsito será bloqueado com a chegada dos foliões. As mudanças feitas para hoje funcionarão como teste para as próximas modificações. Já a data de desfile do bloco, que ficou conhecida como Quarta-Feira de Fogo, mantém-se intocável. “Foi nesse dia que criamos o bloco e isso não pode ser mexido”, advertiu “Fuba”. Em entrevista a André Luiz Maia para o jornal “Correio da Paraíba”, Elba Ramalho agradeceu publicamente a homenagem feita pelo bloco “Muriçocas do Miramar”, dizendo-se honrada em receber o reconhecimento de um bloco da sua terra natal. Elba não se aprofundou na análise da crise financeira porque passa o bloco. Mas, de forma genérica, afirmou:

– Penso que o dinheiro gasto no Carnaval poderia, sim, ser usado em outras áreas, mas também é uma festa que traz contribuições às cidades e à população. O país também se enriquece com a tradição.

Elba Ramalho invariavelmente intercala sua agenda de compromissos do ano inteiro com incursões pela Paraíba, ora no São João, ora em outros eventos. “Quem a viu aqui na cidade no Réveillon de 2015 para 2016 atestou de perto a energia e o amor de Elba pelo que faz. São horas e horas em pé, levantando um público com repertório robusto e diverso, passando pela tradição musical e folclórica nordestina, com frevo, maracatu, caboclinhos, mas abraçando ritmos como axé e samba”, descreve André Luiz Maia no “Correio da Paraíba”. Ele lembrou que no sábado passado Elba Ramalho subiu em um trio para arrastar uma multidão de paulistanos, incluindo em seu repertório músicas de artistas como Adoniran Barbosa e Demônios da Garoa.

“Meu Carnaval é assim, trago o Nordeste e minhas referências fortes, sem deixar de olhar para a riqueza dos outros Carnavais, de São Paulo, do Rio, do Norte do país”, frisou. E acrescenta, numa espécie de reflexão intimista: “Eu penso muito…Todo ano digo que será meu último Carnaval, que eu preferiria estar em um retiro espiritual ao invés de enfrentar tudo isso, mas é o meu trabalho. A minha preocupação sincera é no sentido de que a festa não seja utilizada como diversionismo ou escapismo, ou seja, como uma forma de evitar encarar os problemas do país de frente”. No final das contas, o olhar de Elba Ramalho é de afeto: “É nossa cultura, algo que se construiu ao longo de décadas, é uma tradição e um momento de extravasar. Só queria que as pessoas tivessem mais cuidado consigo mesmas”.

Nonato Guedes

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