Fogueira de vaidades e triunfalismo: receita infalível para perder

O bloco político oposicionista paraibano convive com dois fatores que costumam ser fatais numa disputa: o triunfalismo e a fogueira de vaidades. No primeiro caso, dá-se a apologia ao “sapato alto”, fazendo com que meros candidatos sintam-se ungidos pelo Olimpo – daí enveredando por caminhos sinuosos que podem pôr tudo a perder. Já a fogueira de vaidades geralmente compromete a unidade do esquema, com a cizânia campeando solta e os adversários à espreita para tirar partido dessa fragmentação. São dois ingredientes que compõem uma receita infalível – a da derrota. A Paraíba já assistiu a esse filme em outras variações e conjunturas. O desfecho do enredo, invariavelmente, é o travo da derrota, que desmonta estratégias montadas pacientemente para outros objetivos.

Na conjuntura estadual, o alvo predileto de ataques é o governador Ricardo Coutinho, que, inclusive, antecipou a hipótese de ficar no exercício do mandato até o último dia. Os adversários tremem nas bases porque conhecem o efeito demolidor que pode fazer uma caneta nas mãos de um governante. Este ganha a prerrogativa de nomear e demitir, e mesmo tendo a campanha eleitoral regras teoricamente rígidas, a pretexto de não desequilibrar o pleito, há sempre um jeitinho de ultrapassar esse ou aquele obstáculo e tentar produzir efeito colateral positivo para candidatos ou chapas. Claro que a Justiça Eleitoral está mais atenta, depois de todo o vendaval de corrupção que sacudiu o país nos últimos anos. Mas a Justiça não é onipresente ou onipotente e às vezes pode decidir contra o que seria o senso comum ou o primado da Lei – mas que na verdade é o cumprimento pleno da lei, que desagrada a quem não se sente bafejado.

A oposição paraibana gastará muito fosfato e muita lábia para decidir como será o seu figurino no páreo eleitoral: se haverá candidato único do bloco ou se será incentivada a pulverização de candidaturas numa tática para encurralar o candidato que ostentar o carimbo chapa-branca do governo. Em termos mais claros: o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, será mesmo o nome capaz de aglutinar forças e despertar emoções no eleitor, a ponto de empolgá-lo? Ou os búzios favorecem o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, ou, ainda, o senador Cássio Cunha Lima? Na quadra atual há uma atmosfera de evidente emulação – que se confunde com bairrismo – entre partidários de Cartaxo e de Romero. Ao fim do cabo de guerra restarão sequelas, com potencial para exercer impacto no resultado da campanha. Até brotar o consenso diante dessas questões, muita água rolará por baixo da ponte. E é aí onde reside o perigo, pois o esquema do governador pode se aproveitar de qualquer brecha para levar adiante um projeto de candidatura que a dados de hoje não emociona parcelas do eleitorado.

Discute-se, “interna corporis”, na oposição, se nomes como os do prefeito da Capital e do prefeito de Campina Grande já estariam em processo de estadualização, o que significa passar da ponte do rio Sanhauá e adentrar o chão imenso que é a Paraíba. Ou se será preciso, ainda, dispender esforços maiores na sequência da batalha propriamente dita para sensibilizar indecisos e convencer parcela expressiva de eleitores que o melhor é votar num candidato anti-ricardista. Todas essas variantes têm que ser pesadas e medidas, em meio a tratativas para compor o restante da chapa. O que se evidencia é que não será um “passeio” para as oposições a eleição de 2018. O governador é osso duro de roer e não chegará ao palanque de mãos abanando. Pelo contrário, carregará um portfólio de realizações e exibirá dados inquestionáveis sobre a situação de equilíbrio que a Paraíba mantém quando o mar federal está encapelado.

Não é jogo para amadores. E é preciso muito cuidado com essa tática de subestimar nomes lançados com o aval ou a chancela do governador Ricardo Coutinho. O cenário do próximo ano exigirá muito de muitos personagens envolvidos na luta pelo poder. Qualquer passo em falso colabora para o desmoronamento. E é sempre bom lembrar que Ricardo Coutinho não será pato morto nessa eleição. Muito pelo contrário…

Por Nonato Guedes

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