Há 26 anos, Collor enfrentou impeachment e perdeu direitos políticos

Há 26 anos, Collor enfrentou impeachment e perdeu direitos políticos

Edilson Rodrigues/Agência Senado

Eleito, em 1989, pelo voto popular, primeiro presidente da República depois do regime militar instaurado em março de 1964, Fernando Collor de Mello foi, também, o primeiro mandatário a sofrer um processo de impeachment na história política brasileira, em meioa denúncias de corrupção por parte de altos funcionários do governo, ministros e o próprio presidente, no denominado “esquema PC Farias”, referência a transações nebulosas operadas pelo empresário alagoano Paulo César Cavalcante de Farias, já falecido, que havia sido o tesoureiro de campanha de Collor. Antes da eleição de Collor, o líder político mineiro Tancredo Neves, do PMDB, foi escolhido presidente por via indireta, em 1985, mediante decisão do Colégio Eleitoral formado por representantes políticos com mandato. Derrotou Paulo Maluf, que concorreu pelo PDS, mas devido a graves problemas de saúde não conseguiu tomar posse, sendo substituído por José Sarney, seu vice, originário da Arena, partido que deu sustentação à ditadura militar.

Collor tornou-se um fenômeno político nacional depois que se projetou, em Alagoas, como governador, no papel de “caçador de marajás”, diante da cruzada empreendida contra o pagamento de altos salários a funcionários públicos privilegiados. Isto lhe deu mote e credenciais para postular a presidência da República pelo Partido da Reconstrução Nacional, uma legenda sem expressão. Não obstante, Collor foi para o segundo turno da disputa presidencial com Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, derrotando 20 candidatos, entre eles Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Mário Covas e Aureliano Chaves. Teve como vice Itamar Franco, que havia sido senador e governador de Minas Gerais, respeitado pela seriedade de posições, a quem coube assumir as rédeas com a decretação do impeachment e a suspensão, por oito anos, dos direitos políticos de Collor. O processo de impeachment foi instaurado na Câmara dos Deputados e concluído no Senado, onde o relator foi o senador paraibano Antônio Mariz (PMDB), que atestou a conivência e culpabilidade de Collor nos escândalos denunciados. Para evitar a perda dos direitos políticos, Collor renunciou três dias depois após a instauração do processo em agosto de 92 na Câmara, mas a Câmara continuou o processo e tornou-o inelegível.

Atualmente concluindo mandato de senador por Alagoas, Collor é uma figura sem maior influência na conjuntura política nacional, passados 26 anos do processo de impeachment que o afastou do cargo. Depois de perder o mandato, permaneceu por um longo tempo nos Estados Unidos. Tentou disputar as eleições para prefeito da cidade de São Paulo, pelo PRTB,em 2000 mas foi barrado pela Justiça Eleitoral. Disputou as eleições para governador de Alagoas em 2002 e foi eleito senador em 2006, mantendo atividade empresarial no ramo de comunicações e passando a ser senador pelo PTC. Ao ser vitorioso a presidente da República, Collor afirmou que sua eleição retratava e confirmava as liberdades cívicas no país e acentuava esperar colaboração dos partidos, das entidades e dos cidadãos. Itamar Franco, que o substituiu, acabou surpreendendo o país com a edição de um Plano de estabilização da economia, o Plano Real, que teve a decisiva participação de Fernando Henrique Cardoso, depois eleito presidente e reeleito. As linhas gerais do Plano Real foram mantidas por governos subsequentes, com variações ou alterações de rumo, mas fixando o compromisso com a austeridade e o crescimento econômico. Collor e seu grupo político planejavam ficar até 20 anos no poder. Foi o sonho de uma noite de verão.

Nonato Guedes

 

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