Homenagens “centenárias” a Celso Furtado, o homem da Sudene

Homenagens “centenárias” a Celso Furtado, o homem da Sudene

Se estivesse vivo, o economista paraibano Celso Monteiro Furtado, idealizador da Sudene e ex-ministro do Planejamento no governo de João Goulart, completaria 99 anos no dia 26 de julho próximo. Amigos, admiradores e entidades de estudos econômicos e sociais em João Pessoa já estão planejando as comemorações alusivas aos 100 anos para a mesma data em 2020, segundo revela a colunista Sony Lacerda, do “Correio da Paraíba”. O Conselho Regional de Economia (Corecon) está na contagem regressiva para a realização de eventos que assinalarão a efeméride histórica. A proposta é promover uma vasta programação na Paraíba e em outros Estados no ano que vem.

Nascido em Pombal, Celso Furtado é tido como um dos mais importantes teóricos e estudiosos do desenvolvimento econômico e social do Brasil no século 20. Autor de livros que influenciaram diversas gerações e professor convidado da Universidade de Sorbonne, na França, Furtado aprofundou-se na análise da dependência econômica do Nordeste e das consequências danosas provocadas pelo latifúndio improdutivo que se fixou na região. Com a eclosão do movimento militar de 1964, exilou-se em Paris e em outros centros da Europa. Inicialmente denominada Codeno, a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) sofreu distorções ao longo de outros governos, conforme ele mesmo admitia, referindo-se ao aproveitamento, por industriais, de recursos oriundos dos incentivos fiscais 34/18, originalmente destinados à ampliação do polo industrial e agropecuário do Nordeste.

Os desvios verificados, na sua opinião, agravaram a situação de empobrecimento do Nordeste e alteraram o perfil econômico da região que, por uma questão de sobrevivência, passou a investir em Turismo como alternativa. Furtado reconheceu em entrevistas e depoimentos que houve desvirtuamento das finalidades da Sudene graças a uma ação orquestrada por latifundiários, empresários e políticos, que procuravam tirar proveito da chamada “indústria da seca”, fenômeno cíclico que afeta a região. Mesmo assim, a avaliação de Celso era a de que a Sudene atuara como elemento decisivo para despertar a consciência nacional em torno da problemática do Nordeste. Ele chegou a ser cogitado por líderes políticos da Paraíba para disputar o governo do Estado em 1982, mas recusou as ofertas, alegando não ter vocação para o prélio eleitoral e, também, argumentando que estava distanciado há algum tempo da realidade do Estado.

 

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