Maílson: “Não vamos vender a alma mas precisamos de produtividade”

Maílson: “Não vamos vender a alma mas precisamos de produtividade”

O economista paraibano Maílson da Nóbrega, ao comentar declarações polêmicas do ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, sobre parcerias econômicas do Brasil com os Estados Unidos e China, opinou que o país precisa ampliar as suas vantajosas relações comerciais e que se a reforma da Previdência ocorrer o desafio seguinte será o de ganhar produtividade. Maílson acha que Araújo confundiu alhos com bugalhos quando disse, em palestra no Instituto Rio Branco, que o Brasil tinha maior crescimento quando seu principal parceiro eram os Estados Unidos e que isso teria mudado quando a parceria foi assumida com a China. “De fato, a China passou a ser o grande parceiro comercial do Brasil e, coincidência ou não, tem sido um período de estagnação do Brasil”, comparou Araújo.

Maílson, que foi ministro da Fazenda no governo José Sarney, avalia que o medíocre crescimento da economia brasileira teria sido pior sem a China, cuja demanda por nossas commodities explica os expressivos superávits que passamos a exibir na balança comercial (58,3 bilhões de dólares em 2018), o que equivale a ganhos de produtividade. “O decorrente fortalecimento do balanço de pagamentos nos permitiu minimizar os efeitos da crise financeira global de 2008”, frisou Nóbrega. E acrescentou: “Não vamos vender nossa alma à China, como disse o ministro, mas precisamos ampliar as nossas vantajosas relações comerciais”. Quatro ações, a seu ver, são essenciais. A primeira consiste na elevação dos investimentos em infraestrutura, particularmente a de transporte, para melhorar a operação da logística.

Em segundo lugar, Maílson aponta a promoção de uma reforma tributária que seja capaz de eliminar o caos da tributação do consumo, mediante a instituição de um tributo nacional sobre o valor agregado, em substituição à confusão do ICMS, ISS, PIS e da Cofins. Em terceiro lugar, o ex-ministro sugere uma abertura gradativa da economia para expor a indústria à competição internacional, o que incentivaria a busca da eficiência. Por último, conforme ele, a melhoria da qualidade da educação, de modo a incrementar a produtividade do trabalhador brasileiro, que representa 20% da produtividade do trabalhador americano. “Sem isso, nosso desempenho econômico será igual ou inferior ao atual, com graves efeitos no emprego e na renda dos brasileiros”, finalizou Maílson da Nóbrega.

Em tese, o ex-ministro observa que a capacidade de produzir é o maior determinante do crescimento. “A economia cresce pela conjugação de três elementos: o investimento, o emprego da mão de obra e a produtividade. O segundo pode ser desdobrado em dois – a mão de obra propriamente dita e o capital humano, isto é, o estoque de conhecimentos e os atributos sociais e de personalidade do trabalhador, incluindo a criatividade, adquiridos com a educação e a experiência. A produtividade é o principal desses três elementos. Tem a ver com a eficiência, cujo aumento permite produzir mais com os mesmos recursos”, salienta Maílson da Nóbrega.

Nonato Guedes

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