Morre aos 95 anos Dilma Jane, mãe da ex-presidente Dilma Rousseff

Morre aos 95 anos Dilma Jane, mãe da ex-presidente Dilma Rousseff

Morreu neste sábado, aos 95 anos, Dilma Jane da Silva, mãe da ex-presidente Dilma Rousseff. A causa da morte, em Belo Horizonte, não foi revelada. Dilma Jane, que morava na capital mineira, deixa ainda a filha Zana Lúcia Rousseff e o filho Igor Rousseff. A ex-presidente Dilma Rousseff, de acordo com informações de líderes do Partido dos Trabalhadores, está fora do país, mais precisamente em Londres e já está retornando ao Brasil para participar do velório e enterro da mãe. Dilma Jane chegou a morar no Palácio da Alvorada, residência oficial em Brasília, quando a filha assumiu a presidência da República. Após o impeachment da petista, em 2016, ela voltou a morar em Belo Horizonte.

Nascida em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 1924, Dilma Jane foi casada com o imigrante búlgaro PétarRussév, que era funcionário da siderúrgica Mannesmann, quando ela era professora. Enfrentava problemas de saúde. Em 2015, foi internada em um hospital de Brasília após apresentar sintomas de ataque isquêmico transitório no cérebro. Teve, também, embolia pulmonar. Por conta dos problemas de saúde, Dilma Jane sequer soube do impeachment da filha, decretado pela Câmara dos Deputados, sob a acusação de pedaladas fiscais. Ela era preservada das notícias que aconteciam pelo país.

Pétar, ou Pedro, marido de Dilma Jane, era conhecido como aventureiro no universo dos negócios, enfrentando oscilações naturais nesse tipo de investimento. Ardiloso, ganhou promoção e ganhou bem mais do que um salário pago a um engenheiro. A família fixou-se em Belo Horizonte e a morte do pai impediu Dilma de fazer uma festa de début em sociedade aos 15 anos. A mãe da ex-presidente chegou a ser internada no Hospital de Base de Brasília. Com o deslocamento para Belo Horizonte, o noticiário passou a ser escasso em relação ao verdadeiro estado de saúde de Dilma Jane. A própria Dilma Rousseff referiu-se uma ou duas vezes ao tema, confessando que a mãe estava mantida desinformada do seu afastamento da presidência da República. Na página da ex-presidente na internet, chegou a ser postada uma foto registrando Dilma ao lado da mãe e da sua filha Paula, radicada em Porto Alegre e que deu dois netos a Dilma. O drama experimentado pelo clã da ex-presidente na véspera das comemorações do Dia das Mães guardava semelhança com o que foi vivido por dona Léda Collor, mãe do ex-presidente Fernando Collor, também alvo de impeachment, em 1992, acusado de envolvimento com o esquema PC Farias.  Dona Léda não tomou conhecimento das desavenças em família, sobretudo entre Pedro Collor e Fernando, e não tornou mais.

O senador Fernando Collor chegou a postar uma mensagem evocando sua mãe e assegurando que sua gratidão é eterna, “por tudo o que a senhora fez por mim, pela aprendizagem que me passou”.  Já a ex-presidente Dilma Rousseff, ainda hoje, não superou o processo de impeachment que a defenestrou do Palácio do Planalto, considerando ter havido um “golpe”, patrocinado por seus adversários políticos, além de se incluir na narrativa como vítima de misoginia. A vida pública não tem sido generosa com Dilma. Nas eleições de 2018, ela perdeu a disputa para uma vaga ao Senado por Minas Gerais, depois de ter liderado a corrida até bem próximo da eleição. Nos últimos dias, Dilma visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso numa cela da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba e embarcou para a Inglaterra. Dilma tem consumido seu tempo em palestras, no Brasil e no exterior, em que discorre sobre a conjuntura nacional, o cenário político e critica a “conspiração” que teria sido orquestrada para o seu impeachment consequente interrupção do segundo mandato.

Da Redação, com “O Globo”

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