Morte de Eduardo Campos completa três anos e PSB enfrenta grande racha

A morte do ex-governador de Pernambuco e ex-presidenciável Eduardo Henrique Accioly Campos completa três anos neste domingo, 13 de agosto, e colhe o Partido Socialista Brasileiro, do qual ele era a principal estrela, engalfinhado num profundo racha entre correntes tendo como pano de fundo questões programáticas e visões distintas sobre alianças políticas. O partido também se ressente de um nome de expressão para se contrapor a legendas como PT e PSDB a partir do Nordeste, que era a base principal de Campos, com ramificações por Estados sulistas, a exemplo de São Paulo. A legenda é presidida por Carlos Siqueira, que não consegue controlar as divergências enquanto circulam versões sobre a iminência de uma debandada.

Formado em Economia e neto do ex-governador Miguel Arraes, Eduardo Campos não deixou herdeiros políticos, embora o nome da viúva, Renata, tenha sido cogitado para disputas políticas em Pernambuco, não havendo progresso na empreitada. Se em São Paulo o PSB está aliado ao PSDB, na Paraíba os socialistas se reaproximaram do PT e tendem a apoiar uma eventual candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto em 2018. O governador Ricardo Coutinho, que é citado como opção para vice na chapa de Lula, mas que não confirma sequer uma candidatura ao Senado pela Paraíba, admitindo que pode permanecer no mandato até o último dia, tem estreitado canais com os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. Deverá recepcionar Lula, mais uma vez, este mês, quando da caravana pelo Nordeste.

Eduardo Campos, nascido em dez de agosto de 1965 no Recife, morreu em 13 de agosto de 2014 quando o jato em que viajava do Rio de Janeiro ao Guarujá caiu em um bairro residencial de Santos, São Paulo, pela manhã. Na noite do dia anterior, Campos havia sido entrevistado na bancada do “Jornal Nacional”, da Globo, por William Bonner e Renata Vasconcelos, quando expôs suas ideias como suposto presidenciável pelo PSB. “Não vamos desistir do Brasil”, repetiu ele, como uma espécie de mantra. A entrevista no JN foi considerada plataforma de lançamento, a nível nacional, da imagem de Eduardo, até então com visibilidade apenas em Pernambuco e em outros Estados do Nordeste. Ele vinha fazendo investidas em São Paulo junto a empresários, na expectativa de obter apoios e compromissos de voto na campanha eleitoral. O atual vice-governador de São Paulo, Márcio França, é do PSB e deverá assumir a titularidade do cargo em 2018 se Geraldo Alckmin, do PSDB, se desincompatibilizar para concorrer mais uma vez à presidência da República.

Campos governou Pernambuco por dois mandatos e foi secretário de Finanças no governo do seu avô, Miguel Arraes de Alencar, uma legenda política na esquerda brasileira, exilado pelo regime militar instaurado em 1964 e deposto do cargo no Palácio do Campo das Princesas, no Recife. Eduardo foi, também, ministro da Ciência e Tecnologia no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele rompeu com o Partido dos Trabalhadores em 2013, quando já deflagrara a estratégia para disputar a presidência da República, recusando os acenos para ser vice de Dilma Rousseff, que postulou a reeleição. O Partido Socialista Brasileiro completou 70 anos na última quinta-feira, dia 10 e as seções da Bahia, Paraíba e Amapá são listadas entre as que são favoráveis à composição com o PT na próxima corrida presidencial. A bancada do PSB na Câmara está dividida em relação a temas distintos, o que ficou claro na votação para o prosseguimento da investigação da Procuradoria Geral da República sobre suposta corrupção passiva praticada pelo presidente Michel Temer, do PMDB. O governo de Pernambuco está sob as mãos de um aliado de Campos – o governador Paulo Câmara. Carlos Siqueira revela que é favorável à tese de que o partido mantenha um DNA de esquerda, que sempre foi característico seu, mas não nega que há falta de consenso sobre aspectos programáticos que terão de ser resolvidos antes da anunciada debandada de deputados federais para outros partidos. Enquanto se debruçam na conciliação dos conflitos internos, os socialistas reconhecem que a morte de Eduardo Campos significou um grande baque para a trajetória do partido. Este é o único ponto de consenso existente entre as facções do PSB na atualidade.

Nonato Guedes

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