Opositores de Bolsonaro ainda duvidam que ele tenha sofrido a facada

Opositores de Bolsonaro ainda duvidam que ele tenha sofrido a facada

O presidente Jair Bolsonaro submeteu-se, neste domingo, em São Paulo, a uma nova cirurgia, ainda como consequência do atentado a faca que sofreu no dia seis de setembro do ano passado em Juiz de Fora, Minas Gerais, durante a campanha eleitoral. Os médicos que operaram Bolsonaro, novamente, garantem que ele está bem e que seu quadro é estável no pós-operatório. Uma reportagem publicada pela revista “Veja” mostra que alguns opositores do presidente ainda hoje duvidam que ele tenha sofrido a facada e acreditam que o ataque ao candidato do PSL foi uma encenação, um golpe para enganar o eleitor, uma manobra planejada por políticos e grandes corporações para interferir no resultado da disputa presidencial contra Fernando Haddad, do PT.

O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta, por exemplo, não hesita em afirmar que duvida que o atual presidente da República tenha sido golpeado. “Eu nunca me convenci dessa facada”, disse, especulando que o então candidato do PSL precisava ser submetido a uma cirurgia para resolver um problema no abdômen. Esperto, ele teria, então, forjado o ataque. Paulo Pimenta prossegue no raciocínio: “O Bolsonaro era visto como um cara arrogante, violento, grosseiro, estúpido. Depois desse episódio, passou a ser a vítima. Pode ter sido um belo golpe”. A tese se sustentaria numa evidência inquestionável, conforme ele: o fato de Adelio Bispo de Oliveira, o agressor, ter permanecido ileso após atacar o candidato e ser preso.

– Veja bem, os apoiadores de Bolsonaro são irados, enlouquecidos. Uma pessoa entra no meio de um comício, dá uma facada e não leva sequer um tapa de ninguém? Não lhe acontece nada? Pelo contrário, ela é conduzida à delegacia e protegida?” – questiona Paulo Pimenta. O deputado destaca, ainda, outro detalhe que apontaria para uma trama armada pela própria família. “Não podemos esquecer que dois meses antes do crime Adelio esteve no mesmo clube de tiro frequentado por Carlos e Eduardo Bolsonaro”. A “Veja” afirma que o deputado “não está sozinho em seus delírios”. E acrescenta: “Da prisão, seu chefe, o ex-presidente Lula da Silva, repete a mesma suspeita: “Aquela facada, para mim, tem uma coisa muito estranha. Uma facada que não aparece sangue em nenhum momento…”

Um ano depois do crime que, para muitos, mudou a história do Brasil, parece surreal, mas teses estúpidas como essas continuam inundando as redes sociais e fazem parte das certezas de muita gente, por ignorância, falta de informação ou simplesmente pura maldade – insinua a reportagem de “Veja”. E adianta: “O fato é que o atentado contra o então candidato Jair Bolsonaro que marcou a campanha do ano passado continua a repercutir até hoje em vários aspectos – da saúde do presidente, passando pelo terreno das delirantes teorias conspiratórias, ao panorama político. “Assim como o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, que continuou reverberando décadas depois, o golpe desferido pelo ex-garçomAdelio Bispo de Oliveira, embora não tenha resultado em morte, deixou sequelas”, informa “Veja”. No plano político, a facada é usada por adversários e aliados na guerra da desinformação que permeia o debate brasileiro.

Para os apoiadores do presidente, por exemplo, houve participação da esquerda no planejamento, na execução e no acobertamento do atentado. Membro graduado da tropa de choque do presidente da República, o deputado Marco Feliciano é um dos defensores dessa tese: “O ódio que os esquerdistas diziam que os conservadores pregavam foi materializado – e partiu deles mesmos. O Adelio era filiado a um partido de esquerda, frequentava o gabinete do deputado do PSOL, Jean Wyllys (informação que nunca foi comprovada) e de outros mais”. Assim como o líder do PT, Feliciano apresenta evidências que provariam uma conspiração. “Por que o presidente da OAB não liberou o nome de quem pagou aos advogados do Adelio? A história é muito mal contada, foi abafada. E se foi abortada é porque tem alguma coisa lá”, conclui.

Em maio passado, em entrevista a “Veja”, Bolsonaro relembrou os momentos que se seguiram ao atentado que, por pouco, não lhe tirou a vida. “No primeiro momento, eu mão vi que era uma facada. Parecia um soco inglês ou uma bolada. Eu levantei a camisa e vi um rasgo de uns três dedos. E não sangrava. O sangue estava jorrando por dentro”, contou. Bolsonaro confirmou que mesmo em recuperação da cirurgia tinha condições de participar de alguns debates durante a campanha, mas decidiu não comparecer a eles porque os adversários se uniriam para tentar massacrá-lo.

Nonato Guedes, com “Veja”

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