Petistas exaltam Ricardo e nome do governador é cotado para vice

Petistas paraibanos passaram a exaltar o governador Ricardo Coutinho, do PSB, por ter tido a ousadia de recepcionar os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, na visita a Monteiro, no Cariri, para acompanhamento da passagem de águas provenientes da transposição do rio São Francisco. O deputado Anísio Maia, da bancada do PT na Assembleia, frisou que Ricardo arriscou-se a sofrer retaliações do governo do presidente Michel Temer mas, mesmo assim, não fugiu do compromisso assumido. O governador recebeu Temer, de forma protocolar, há duas semanas, quando ele esteve na mesma cidade.

Em ambientes do petismo e de outras forças de esquerda, o nome do governador paraibano passou a ser mencionado como alternativa para compor, no papel de vice, uma chapa à presidência da República encabeçada pelo ex-presidente Lula, que praticamente se lançou à disputa de 2018. O fato de Lula e Ricardo serem originários do Nordeste – o primeiro nascido em Pernambuco, o segundo na Paraíba – não é encarado como empecilho a uma eventual dupla na disputa presidencial. “Na celebração em Monteiro ficou demonstrado que o ex-presidente Lula tem forte carisma popular e é um líder influente nas eleições vindouras”, assinalou Anísio Maia.

Ricardo iniciou sua militância partidária nos quadros do PT, legenda pela qual se elegeu vereador em João Pessoa e deputado estadual. Deixou a agremiação alegando ter sido vetado na postulação como candidato a prefeito da Capital, embora pesquisas para consumo interno que ele encomendara favoreciam amplamente o seu nome. Em 2004, Ricardo foi eleito prefeito de João Pessoa concorrendo pelo PSB, do qual destronou a advogada Nadja Palitot. Ele fez uma composição com o PMDB para ter apoio e reforçar espaço no Guia Eleitoral. Os peemedebistas indicaram o então deputado estadual Manoel Júnior, que não teve boa convivência com Coutinho e em 20006 partiu para vitoriar como candidato a deputado estadual. Atualmente, Júnior é vice da Capital na gestão de Luciano Cartaxo, que já foi petista e disputou pelo PSD, partido presidido pelo deputado federal Rômulo Gouveia.

Em 2008, embora tenha recebido listas de nomes vinculados a outros partidos e que poderiam compor chapa como vice, Ricardo Coutinho preferiu formar uma chapa “puro sangue”, tirando do bolso do colete o nome do arquiteto Luciano Agra, que até então nunca disputara um mandato eletivo. Na campanha pela reeleição, naquele ano, Ricardo triunfou graças à sua empatia com segmentos do eleitorado da Capital. Ele renunciou para disputar o governo em 2010. Agra, que já faleceu, ensaiou um movimento para ser o candidato do PSB à prefeitura em 2012, mas Coutinho manejou os cordéis e acabou impondo ao partido o nome da atual deputada Estelizabel Bezerra, que teve boa performance mas não foi sequer ao segundo turno. O governador paraibano, ultimamente, vinha afirmando não pretende disputar nenhum cargo em 2018, permanecendo no mandato até o último dia. Depois do evento em Monteiro, seus aliados e liderados políticos acreditam que o chefe do executivo ganhou fôlego para concorrer ao Senado com possibilidades de abocanhar uma das duas vagas em jogo.

Nonato Guedes

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