Praça Jornalista Nelma Figueiredo será inaugurada amanhã em Intermares

O prefeito de Cabedelo, Vítor Hugo (PRB) e a secretaria de Infraestrutura do município já estão expedindo convites públicos para a inauguração da Praça Jornalista Nelma Figueiredo, prevista para amanhã, às 16h30, na avenida Oceano Atlântico S/N, no bairro de Intermares, na cidade portuária, onde ela residiu. A proposta de homenagem a Nelma, que atuava como espécie de porta-voz das reivindicações de habitantes de Intermares sobre melhorias no bairro, foi apresentada na Câmara Municipal e aprovada por unanimidade. O prefeito Vítor Hugo, que sancionou a propositura, confessou-se um admirador do trabalho profissional de Nelma e afirmou que ela deixou exemplos para a categoria jornalística paraibana.

Nelma Figueiredo, nascida em Brasília, mas com raízes familiares na Paraíba, na região do Vale do Piancó, faleceu aos 53 anos, vítima de câncer, numa sexta-feira, 30 de março deste ano. Ela era apresentadora do programa CBN João Pessoa, no Sistema Paraíba de Comunicação, mediando entrevistas com autoridades e pessoas da comunidade, mas se notabilizou como repórter, sempre bem informada sobre os acontecimentos das diferentes áreas de atividade e respeitada pela seriedade e pelo profissionalismo com que pautou sua trajetória. Foi pioneira no telejornalismo paraibano, começando na TV Cabo Branco, depois na TV O Norte e, finalmente, na TV Correio. Por um longo período foi repórter da Assessoria de Comunicação Social do Detran da Paraíba.

Sua estreia na radiofonia foi uma guinada na carreira profissional de Nelma Figueiredo, mas ela surpreendeu favoravelmente, ancorando o programa CBN João Pessoa, com a participação de comentaristas versados em política, economia e temas jurídicos. Fez coberturas jornalísticas épicas na televisão. Juntamente com este repórter, transmitiu para todo o Estado da Paraíba a posse do governador Ronaldo Cunha Lima em março de 1991, na Assembleia Legislativa, numa sessão presidida pelo então deputado Deusdete Filho e que teve presenças ilustres como a do então arcebispo metropolitano Dom José Maria Pires. Nelma também registrou para a televisão as cenas das mortes dos ex-governadores Ronaldo Cunha Lima e Antônio Mariz, tendo sido a primeira repórter a chegar ao foco da notícia. Foi a primeira mulher jornalista a mediar debates entre candidatos a governador na televisão, mais precisamente na TV O Norte, então vinculada aos “Diários Associados”. Em 2002, em plena campanha eleitoral, Nelma mediou o debate entre os candidatos Cássio Cunha Lima e Roberto Paulino, superando momentos de tensão ocasionados pela pressão dos assessores e integrantes de comitês de campanhas em relação às regras do debate, embora elas tenham sido assentidas previamente com as coordenações dos postulantes.

Oriunda do Curso de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba, Nelma Figueiredo foi casada com o apresentador de telejornalismo Aldo Schueller, de cuja união resultaram dois filhos. Era uma figura carismática, com um largo círculo de amizades e uma valiosa agenda de contatos telefônicos, com números de celulares e WhatsApp de personalidades expressivas da vida pública estadual e nacional. Tinha obsessão pelo perfeccionismo na elaboração e veiculação das matérias e um cuidado especial na apuração e checagem das informações que lhe eram transmitidas, sendo precursora na vigilância, na imprensa paraibana, diante da praga de “fake News” – notícias falsas ou fantasiosas, hoje disseminada na imprensa mundial e convertida em arma de propaganda e contrapropaganda de governos de grandes potências como estratégia para tentar manipular a opinião pública. No São João deste ano, em Campina Grande, Nelma Figueiredo foi homenageada pela prefeitura municipal e pela coordenação do evento denominando a Sala de Imprensa do Parque do Povo, ambiente congregador de profissionais de comunicação de todas as partes do país. Além das cobranças a autoridades sobre soluções para problemas comunitários em intervenções no programa de rádio, Nelma Figueiredo valia-se de redes sociais para postar imagens de cenas de abandono de vias públicas, sobretudo em período de chuvas, em lugares como Intermares. Invariavelmente, era atendida pelo poder público nas demandas por soluções. “Ela foi uma profissional exemplar”, depõe o jornalista Sílvio Osias, colunista da versão online do “Jornal da Paraíba” e amigo pessoal de Nelma, além de ter sido seu editor-produtor na TV Cabo Branco.

Nonato Guedes

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