Prefeitos esvaziam evento convocado para o combate à seca

Chamou a atenção, ontem, em João Pessoa, o desinteresse dos prefeitos paraibanos quanto à oferta, pelo governo federal, de dessalinizadores para suprir abastecimento de água em localidades onde o quadro de estiagem é grave. O VII Encontro Nacional de Formação do Programa Água Doce, no Centro de Convenções Ronaldo Cunha Lima, contou, em sua abertura, com apenas três prefeitos e representantes de 21 municípios, de um total de 298 identificados pelo Ministério do Meio Ambiente com potencial para fornecer água às populações.

Na abertura do evento, houve a denúncia de que algumas das 15 prefeituras que receberam equipamentos dessalinizadores na Paraíba deixaram de pagar os salários dos operadores. O presidente da Famup, Tota Guedes, todavia, alegou desconhecer a existência de programas relacionados ao abastecimento de água, em que o prefeito se responsabiliza pelo pagamento de operadores. “O que sabemos é de um projeto de fornecimento de água, que teve o empenho da Famup para ajudar a divulgar, mas o governo só repassou a primeira parcela”, salientou. Madrinha do Programa Água Doce, a cantora paraibana Elba Ramalho esteve presente ao evento e depôs sobre as consequências dramáticas da estiagem.

– No meu tempo de criança a seca era cruel. Eu vivi a história do poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, vendo muitas pessoas migrarem, outras morrendo por falta de água. Meu pai fez um poço no quintal e esse poço nos permitiu sobreviver à seca por muito tempo. Esse programa traz benefícios para as comunidades que são pouco enxergadas – destacou Elba, natural de Conceição, no Vale do Piancó. O Programa Água Doce instala sistemas de dessalinização em comunidades carentes localizadas nos municípioss que sofrem com a escassez de água. Há pré-requisitos: deve haver um poço já perfurado, com vazão média de mil litros de água por hora, e o total de resíduos sólidos dissolvidos deve dar resultado de até 10 mil, a capacidade máxima do equipaamento licitado.

Em Aroeiras, Joelma Oliveira afirma que um dos principais benefícios trazidos pelo Programa foi a melhoria na saúde da população. “Percebi que os casos de verminoses em crianças diminuíam muito desde que o sistema chegou”, adiantou. O secretário do ministério do Meio Ambiente revelou que será feito um levantamento para investigar as causas de problemas com equipamentos de dessalinização em municípios paraibanos. “Somente a partir daí tomaremos uma posição”, acentuou Jair Tannus. O desinteresse dos prefeitos causou surpresa, já que são frequentes as denúncias sobre agravamento da situação causada pela estiagem, bem como as cobranças aos governos federal e estadual para providências. No sistema dos dessalinizadores, o governo federal doa os equipamentos, o Estado faz a manutenção e as prefeituras ficam encarregadas de pagar o operador.

Nonato Guedes

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