Prisão de Temer não teve impacto entre correligionários do MDB

Prisão de Temer não teve impacto entre correligionários do MDB

Correligionários do ex-presidente Michel Temer no MDB, em sua grande maioria, não acusaram nenhum impacto com a prisão preventiva dele, ocorrida quinta-feira, por determinação do juiz Marcelo Bretas, titular da Sétima Vara Criminal do Rio de Janeiro, que o apontou como líder de uma organização criminosa responsável por múltiplos casos de corrupção. Deputados e senadores chegaram a avaliar que a prisão de Temer não deve afetar a rotina do Congresso, já que o ex-presidente deixou o mandato com índice de popularidade no chão, alvo de três denúncias da Procuradoria Geral da República, e se manteve distante das campanhas eleitorais e da vida parlamentar.

Temer ocupou a cadeira presidencial depois do impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e é visto como representante de um partido que nas últimas décadas sempre ocupou espaços no poder mas que atualmente tem boa parte de suas lideranças encarcerada, a começar pelo deputado Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e artífice do impeachment de Dilma Rousseff, e pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, famoso por ser aquele que guardava 51 milhões de reais, nota sobre nota, em um apartamento vazio em Salvador. A defesa do ex-presidente tentará obter sua soltura esta semana, mas não há certeza de que isto venha a ocorrer.

Os emedebistas tentam reestruturar o partido a partir da volta da denominação que predominou no regime militar, mas além da carência de quadros mais expressivos o ex-PMDB perdeu o controle de governos estaduais e de postos de comando no Congresso, hoje concentrado pelo DEM e pelo PSL do presidente Jair Bolsonaro. Com a prisão de dois ex-presidentes – Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer, o Brasil ocupa uma situação singular no mundo, mas a situação na América Latina, em particular, não tem sido muito diferente. No Peru, Ollanta Humala e sua mulher, Nadine Heredia, entre 2017 e 2018, amargaram nove meses atrás das grades por terem recebido 3 milhões de dólares de propina da Odebrecht.

Também relacionado a envolvimento ilícito com a construtora brasileira está outro presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou no ano passado. Ainda no Peru, Alberto Fujimori (1990-2000) foi preso em 2007 e condenado a 25 anos de prisão em 2009 em razão de crimes contra a humanidade e acusações de corrupção. O ex-presidente de El Salvador Francisco Flores (1999-2004), indiciado por crimes de peculato e enriquecimento ilícito, morreu em janeiro de 2016 em prisão domiciliar. Na Guatemala, uma fraude milionária nas alfândegas levou o ex-presidente Otto Pérez Molina (2012-2015) a renunciar após ordem de prisão em 2015. Em 2016, o ex-presidente hondurenho Rafael Callejas (1990-1994) foi preso após assumir participação no escândalo de corrupção Fifagate. O ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli (2009-2014) não conseguiu escapar das garras da Justiça americana ao tentar pagar fiança por escutas ilegais em seu governo e acabou sendo preso em Miami em junho passado.

Nonato Guedes, com informações da “Veja”

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