Neste sábado (13), às 21h, no Teatro Pedra do Reino, no Centro de Convenções em João Pessoa, o casal de artistas Lázaro Ramos e Taís Araújo apresenta a peça “O Topo da Montanha”, que retrata temas como a negritude e o preconceito racial e exalta a figura de Martin Luther King, ativista anti-segregação que foi assassinado nos Estados Unidos. Adaptado do texto da norte-americana Katori Hall, a versão brasileira quase não sai. Foi preciso uma tradução muito especial para que a obra convencesse o casal a interpretá-la. No enredo, Luther King acabara de realizar seu último sermão e, num quarto de hotel em Memphis, conhece a camareira Camae. Debochada, desbocada, provocativa e bastante perspicaz, ela questiona King, que fazia uma reavaliação de toda a sua vida.

Em depoimento ao jornal Correio da Paraíba, Lázaro Ramos, que é ator e diretor, afirma: “Falar sobre respeito, não-preconceito e afeto em um momento em que as pessoas estão tão brutas é oferecer uma alternativa”. Taís Araújo postou em rede social um vídeo em que convida os pessoenses a prestigiarem o espetáculo, estouro de bilheteria no país. A peça tenta guardar fidelidade à conjuntura de 1960 nos Estados Unidos, onde os conflitos raciais eram latentes e Luther King projetava-se em meio aos ativistas dos direitos humanos. “Ao resgatar a humanidade do mito Luther King, O Topo da Montanha apresenta a possibilidade de nos comovermos com o outro e olhar para dentro de si” – informa o jornalista André Luiz Maia, que entrevistou os artistas para o jornal Correio.

Taís Araújo confessa: “Quando eu li o texto, ria e chorava o tempo inteiro, e a sensação que eu tenho é que a plateia passa por essa montanha-russa de emoções quando vê a montagem”. O texto é de Katori Hall. Na capa da edição de primeiro de março deste ano, a VEJA qualifica o casal de artistas como imbatível e afirma que Taís e Lázaro são o par mais poderoso do showbiz. E ainda simboliza a vitória do talento sobre a barreira racial. “O Topo da Montanha” permaneceu um ano em cartaz em São Paulo e teve temporadas esgotadas em lugares como Salvador, a terra natal de Lázaro, e Rio, a cidade de Taís. A previsão é de que até junho deva passar por capitais do Nordeste, municípios mineiros e Porto Alegre. VEJA descreve o público da peça como uma horda eclética, mas com alto contingente de negros. Antes de cada apresentação, os dois atores recepcionam e abraçam pessoa por pessoa da plateia.

Lázaro e Taís estão juntos em Mister Brau, apresentado pela TV Globo. São tidos como um casal poderoso por um somatório de peculiaridades. Diz a VEJA: “Eles são estrelas de magnitude equivalente. Naturalmente, a junção de duas forças assim resulta em uma supernova de luminosidade espantosa. Mas aí vem o ponto notável: essa imagem se projeta além do casamento, nos espetáculos que os dois apresentam. O carisma vem acrescido de um fator de imensa simbologia: a pele negra. Para milhões de brasileiros, Taís e Lázaro servem como espelho: é o casal belo e talentoso que triunfou vindo de baixo. Eles mesmos não se cansam de enfatizar que falta muito para a superação da carga de discriminação e desigualdades, que é histórica. Mas o fato é que eles atestam quanto o país mudou nas últimas décadas: a TV e a propaganda hoje reproduzem muito mais a diversidade brasileira. Sem quererem ser porta-vozes de movimentos nem empunharem quaisquer bandeiras, Taís e Lázaro encarnam a resistência ao preconceito ainda embutido na sociedade brasileira.

Nonato Guedes