Um “clã” político com um futuro incerto no horizonte paraibano

Um “clã” político com um futuro incerto no horizonte paraibano

É incerto o futuro do “clã” político dos Cartaxo na conjuntura de poder da Paraíba. O “clã” compõe-se, basicamente, de irmãos gêmeos – Luciano, prefeito reeleito de João Pessoa, e Lucélio, chefe de gabinete da prefeitura da Capital, e que tem procurado ocupar espaços, avançando, inclusive, por eleições majoritárias estaduais. Em 2018, Lucélio, vestindo as cores do Partido Verde, ousou lançar-se candidato a governador numa operação que tinha tentáculos em Campina Grande, já que sua vice ou companheira de chapa foi a doutora Micheline Rodrigues, esposa do prefeito reeleito da cidade-matriz do Compartimento da Borborema, Romero Rodrigues, provisoriamente acampado no PSDB e sincronizado com a liderança política do ex-senador Cássio Cunha Lima, surpreendentemente derrotado nas urnas quando postulava a reeleição e depois de largar liderando projeções de intenção de votos. Cássio considerou-se alvo de “tsunami” político que teria origens na conjuntura nacional.

É preciso lembrar, para efeito de análise histórica, que o pré-candidato do “clã” Cartaxo ao governo não era Lucélio, mas o irmão gêmeo Luciano, que em tese teria mais capilaridade eleitoral e até mesmo perspectivas de provocar um segundo turno no qual tudo poderia acontecer, inclusive nada. Luciano, aparentemente, fugiu da raia por se sentir adrede incomodado com a divisão nas oposições e, mais ainda, com a demora quanto a uma definição. Labora a favor desse argumento o fato de que, por algum tempo, o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, insinuou-se como pré-candidato ao governo estadual, sem prejuízo de junção com outras forças num segundo turno. Embora legítima, a pré-candidatura de Romero tinha ranço claramente divisionista – e não é demais especular que a permanência dela em pauta precipitou a “retirada da Laguna” que Luciano Cartaxo protagonizou.

Diga-se, a propósito, que Lucélio, o irmão gêmeo finalmente ungido candidato de um bloco de oposição contra o esquema liderado por Ricardo Coutinho, tinha apenas o sobrenome como cacife para ostentar na mesa. Em 2014, havia sido arrastado para uma aventura igualmente arriscada – concorrer ao Senado na condição de neófito, pois no seu currículo não constava sequer disputa para vaga de síndico de condomínio, inobstante passagem por cargo federal, nos tempos em que o “clã” cartaxista era petista desde criança. Resultado: deu José Maranhão (MDB) na cabeça, respaldado pela massificação decorrente do fato de ter sido tríplice coroado no exercício do governo do Estado e, ainda, rechear o currículo com mandatos de deputado estadual, federal, vice-governador. Lucélio tem sido uma espécie de “elemento talhado para o sacrifício”. Diferentemente de Luciano, que foi vereador, deputado estadual, vice-governador, até chegar à prefeitura da Capital, Lucélio já foi sacramentado para o mais difícil – ser senador e, depois, governador. Não chegou lá, por óbvio.

Luciano perdeu o raio de influência que tinha nas franjas do PT, cuja cúpula nacional ficou decepcionada quando ele deixou de ser o único prefeito petista de Capital nordestina, ao migrar, inicialmente, para o PSD e, na sequência, para o PV, adotando enlouquecida estratégia de volta em círculo na política, que é sempre uma temeridade. Como não há espaço vazio, o PT, órfão de respaldo com a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva e o impeachment de Dilma Rousseff, encontrou abrigo num líder cuja expulsão forçou em tempos remotos – o ex-governador Ricardo Coutinho, ainda hoje abancado nas fileiras do PSB. Ricardo tinha vaga natural para disputar o Senado e favoritismo para ganhar em 2018. Lançou Luiz Couto, expressão nacional petista, para uma das vagas, acomodando na outra Veneziano Vital do Rêgo, pescado nas águas turvas do MDB, onde nunca tivera chance no reinado de Maranhão. Veneziano ganhou, Couto não. Mas Ricardo comemorou o que havia idealizado secretamente e que tornou público em plena campanha: a derrota de Cássio Cunha Lima (PSDB), seu aliado na campanha de 2010.

O PT paraibano, bem ou mal, participa, hoje, da administração de João Azevedo, do PSB, que triunfou logo em primeiro turno com o decisivo influxo de apoio de Ricardo Coutinho no prélio de 2018. Luiz Couto, a contragosto, divide espaços com Efraim Morais, presidente do Democratas, ex-senador, ambos ocupando Pastas na esfera da agricultura/agropecuária paraibana. Fazem de tudo para deixar para trás as divergências acirradas e temperadas por provocações como a do ex-presidente Lula, que qualificou de “CPI do fim do mundo” uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar bingos, proposta por Efraim. Ricardo Coutinho, de forma mais ativa, e João Azevedo, pela circunstância de ser o governador de plantão, são fiadores da estratégia para pacificar PT e DEM no metro quadrado do governo estadual. Quanto ao “clã” Cartaxo, chupa o dedo com essa aliança PT-Ricardo. E busca, de forma desesperada, aliados de peso para empreitadas futuras nas quais ninguém sabe o que Luciano ou Lucélio disputarão. Luciano, inclusive, exorciza a todo custo a maldição de que a prefeitura de João Pessoa é cemitério de políticos. A conferir, claro!!!

Nonato Guedes

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